Segurança e violência em números
Esta apresentação percorre cinco indicadores de segurança do Banco Mundial: homicídios intencionais, mortes no trânsito, mortalidade por suicídio, gastos militares em relação ao PIB e o escore de controle da corrupção. Cada quadro traz o ranking dos países, o valor e a posição do Brasil e a evolução da série ao longo dos anos disponíveis. Os números são exatamente os mesmos usados no texto da página.
| Intentional homicides | 175 | Brasil: 19,2753 homicídios por 100 mil habitantes em 2023, 175º de 196 países |
| Road traffic deaths | 105 | Brasil: 16,0 mortes no trânsito por 100 mil habitantes em 2019, 105º de 190 países |
| Suicide mortality rate | 96 | Brasil: 7,59 mortes por suicídio por 100 mil habitantes em 2021, 96º de 185 países |
| Military spending (% of GDP) | 40 | Brasil: 0,9728% do PIB em gastos militares em 2024, 40º de 164 países |
| Control of corruption | 126 | Brasil: 39,5783 pontos no controle da corrupção em 2024, 126º de 206 países |
Leia cada quadro isoladamente: as unidades mudam (mortes por 100 mil habitantes, % do PIB, escore de 0 a 100), assim como o número de países comparados e o ano mais recente. Por isso não faz sentido comparar posições ou valores entre quadros diferentes, nem somá-los em uma nota única.
Pontos principais
O Brasil aparece nesta edição com posições muito diferentes conforme o indicador observado. No indicador central, a taxa de homicídios intencionais, o país registrou 19,2753 por 100 mil habitantes em 2023, o que corresponde à 175ª posição entre 196 países ordenados do menor para o maior valor — cerca de 3,7 vezes o valor mundial de 5,2. Já as mortes no trânsito, 16,0 por 100 mil em 2019 (105º entre 190 países), ficam ligeiramente abaixo do valor mundial de 16,7502, e a taxa de mortalidade por suicídio, 7,59 por 100 mil em 2021 (96º entre 185 países), fica abaixo do valor mundial de 9,1303. Em gastos militares o país destinou 0,9728% do PIB em 2024 (40º entre 164 países), menos da metade do valor mundial de 2,4692%, e no escore de controle da corrupção marcou 39,5783 pontos de 0 a 100 em 2024 (126º entre 206 países). O quadro geral, portanto, não é uniforme: a violência letal é o ponto mais distante da média mundial, enquanto trânsito e suicídio ficam perto ou abaixo dela.
Fontes: Banco Mundial (World Development Indicators) — *Intentional homicides (per 100,000 people)*, VC.IHR.PSRC.P5, https://data.worldbank.org/indicator/VC.IHR.PSRC.P5 ; *Mortality caused by road traffic injury (per 100,000 population)*, SH.STA.TRAF.P5, https://data.worldbank.org/indicator/SH.STA.TRAF.P5 ; *Suicide mortality rate (per 100,000 population)*, SH.STA.SUIC.P5, https://data.worldbank.org/indicator/SH.STA.SUIC.P5
O valor mais recente do indicador central
O indicador que encabeça esta edição é a taxa de homicídios intencionais. O valor mais recente disponível para o Brasil é de 19,2753 por 100 mil habitantes, referente a 2023, o que coloca o país na 175ª posição de um conjunto de 196 países e territórios com dado publicado. O valor mundial informado pela mesma fonte é de 5,2 por 100 mil: a taxa brasileira equivale a aproximadamente 3,7 vezes esse patamar. Vale registrar que 19,2753 é também o menor valor da série brasileira disponível, que começa em 2012 — ou seja, o número mais recente é alto na comparação internacional e, ao mesmo tempo, o mais baixo já registrado no período coberto pelos dados aqui reunidos.
Fonte: Banco Mundial (World Development Indicators) — *Intentional homicides (per 100,000 people)*, VC.IHR.PSRC.P5, https://data.worldbank.org/indicator/VC.IHR.PSRC.P5
Quem está no topo e na base
Na ponta de menores taxas de homicídio aparecem CHI (código que a base não resolve em nome de país) com 0,0, seguido por Catar e Singapura, ambos com 0,0691, Omã com 0,1386, Barein com 0,1956 e Japão com 0,2292. É um grupo formado sobretudo por monarquias do Golfo, cidades-Estado e países do Leste Asiático, além de territórios pequenos. Na outra ponta estão Ilhas Turcas e Caicos com 76,34, São Cristóvão e Névis com 64,1601, São Vicente e Granadinas com 51,3213, Ilhas Virgens Americanas com 49,8571, Jamaica com 49,4403, Equador com 45,7228, África do Sul com 43,7203 e Haiti com 41,1518 — predominam ilhas do Caribe, países da América Latina e da África Austral. O Brasil, com 19,2753 e a 175ª posição, está claramente no terço de valores mais altos, embora abaixo de vizinhos como Equador e de vários países caribenhos.
Fonte: Banco Mundial (World Development Indicators) — *Intentional homicides (per 100,000 people)*, VC.IHR.PSRC.P5, https://data.worldbank.org/indicator/VC.IHR.PSRC.P5
Como mudou na última década
A série de homicídios do Brasil vai de 28,6414 em 2012 a 19,2753 em 2023, com pico de 31,1612 em 2017. Da máxima de 2017 até 2023 a queda é de cerca de 38%, e desde 2019 (21,2446) o movimento é de recuo lento e contínuo: 21,8129 em 2020, 20,5049 em 2021, 20,0812 em 2022 e 19,2753 em 2023. As mortes no trânsito seguem direção parecida: 22,6 por 100 mil em 2008, máximo de 24,8 em 2012 e 16,0 em 2019, uma redução de cerca de 35% em relação ao pico. O suicídio caminha no sentido oposto: 5,25 por 100 mil em 2010, 6,71 em 2019, 6,93 em 2020 e 7,59 em 2021, um aumento de aproximadamente 45% ao longo da série. Os gastos militares caíram de 1,4697% do PIB em 2018 para 0,9728% em 2024, primeiro valor abaixo de 1% na série iniciada em 2013 (1,3294%). O escore de controle da corrupção recuou de 46,6229 em 2013 para 38,3541 em 2017, oscilou em torno de 39 a 41 pontos nos anos seguintes e marcou 39,5783 em 2024, ainda abaixo do nível do início da série.
Fontes: Banco Mundial (World Development Indicators) — VC.IHR.PSRC.P5; SH.STA.TRAF.P5; SH.STA.SUIC.P5; *Military expenditure (% of GDP)*, MS.MIL.XPND.GD.ZS, https://data.worldbank.org/indicator/MS.MIL.XPND.GD.ZS ; *Control of Corruption - Governance score (0-100)*, GOV_WGI_CC_SC, https://data.worldbank.org/indicator/GOV_WGI_CC_SC
Comparação com países próximos
Em homicídios, o Brasil (19,2753) fica abaixo do Equador (45,7228, 191º) e de Haiti (41,1518, 189º), mas muito acima dos Estados Unidos (5,7634, 134º) — cerca de 3,3 vezes — e distante de França (1,3351), Reino Unido (1,1187), Alemanha (0,9107), China (0,5019) e Coreia do Sul (0,4773). No trânsito, os 16,0 do Brasil ficam perto da China (17,4, 115º) e acima dos Estados Unidos (12,7, 82º) e da Coreia do Sul (8,6), muito acima de França (5,1), Alemanha (3,8), Japão (3,6) e Reino Unido (3,2), mas bem abaixo de vizinhos como Venezuela (39,0) e República Dominicana (64,6). Na mortalidade por suicídio, os 7,59 do Brasil estão abaixo de vizinhos sul-americanos como Uruguai (24,75), Guiana (24,78) e Suriname (22,26), e também abaixo de Estados Unidos (15,63), Alemanha (12,9) e Reino Unido (9,55), próximos da China (8,95). Nos gastos militares, os 0,9728% do PIB ficam abaixo de Estados Unidos (3,4192%), Coreia do Sul (2,5621%), Reino Unido (2,2786%), França (2,0526%), Alemanha (1,8919%) e China (1,7113%), e acima da Venezuela (0,5007%). No controle da corrupção, os 39,5783 pontos do Brasil ficam abaixo de China (49,6499, 89º), Coreia do Sul (65,0512), Estados Unidos (69,8552), França (72,5135) e do topo da lista, Dinamarca (94,1568), e acima de Venezuela (15,7287) e Haiti (16,6758).
Fontes: Banco Mundial (World Development Indicators) — VC.IHR.PSRC.P5; SH.STA.TRAF.P5; SH.STA.SUIC.P5; MS.MIL.XPND.GD.ZS; GOV_WGI_CC_SC
Como ler estes números
As posições apresentadas resultam apenas da ordenação mecânica dos valores, do menor para o maior — com exceção do controle da corrupção, ordenado do maior escore para o menor. Elas não são notas de desempenho. Isso vale especialmente para os gastos militares: um valor mais baixo indica menor participação da defesa no PIB, e não um resultado melhor ou pior. A taxa de homicídios depende da definição adotada em cada sistema de estatísticas criminais (tratamento de tentativas, de desaparecidos e de mortes com causa indeterminada) e da capacidade de investigação e registro, de modo que países com sistemas estatísticos frágeis podem aparecer com valores mais baixos do que a realidade; o mesmo cuidado se aplica à mortalidade por suicídio, sujeita a subnotificação por procedimentos de definição de causa de morte e por fatores sociais e religiosos. O escore de controle da corrupção é um índice composto de 0 a 100, construído a partir de várias pesquisas, e não uma medida direta em valores monetários; nesta base ele não vem acompanhado de um valor mundial. Os anos de referência também não coincidem: 2023 para homicídios, 2019 para mortes no trânsito, 2021 para suicídio e 2024 para gastos militares e corrupção — por isso convém evitar resumos do tipo "a segurança do Brasil hoje". No caso do trânsito, o dado mais recente é anterior à pandemia e não incorpora mudanças posteriores. Por fim, valores muito baixos em países ou territórios de população pequena oscilam bastante de um ano para outro, e indicadores distintos, como homicídio e suicídio, não devem ser lidos como causa um do outro.
Fontes: Banco Mundial (World Development Indicators) — VC.IHR.PSRC.P5; SH.STA.TRAF.P5; SH.STA.SUIC.P5; MS.MIL.XPND.GD.ZS; GOV_WGI_CC_SC
Homicídios intencionais (por 100 000 hab.) no mapa e em gráficos
| Posição | País / território | por 100.000 |
|---|---|---|
| 2 | Catar | 0.07 |
| 3 | Singapura | 0.07 |
| 4 | Omã | 0.14 |
| 5 | Barein | 0.2 |
| 6 | Japão | 0.23 |
| 173 | Tuvalu | 18.29 |
| 174 | Guiana | 19.12 |
| 175 | Brasil | 19.28 |
| 176 | República Centro-Africana | 20.12 |
| 177 | Guatemala | 23.37 |
| 194 | São Vicente e Granadinas | 51.32 |
| 195 | São Cristóvão e Névis | 64.16 |
| 196 | Ilhas Turcas e Caicos | 76.34 |
No alto da tabela estão Catar e Singapura (0,0691), Omã (0,1386) e Japão (0,2292); na base, Ilhas Turcas e Caicos (76,34), São Cristóvão e Névis (64,1601) e Jamaica (49,4403). O Brasil aparece no terço de valores mais altos, abaixo do Equador (45,7228).
As barras mostram uma distribuição muito desigual, do 0,0691 do Catar aos 76,34 das Ilhas Turcas e Caicos. A linha de evolução do Brasil sobe até 31,1612 em 2017 e recua ano a ano até 19,2753 em 2023; o mapa concentra os valores altos no Caribe, na América Latina e na África Austral.
Comparar países
Mortes por acidente de viação (por 100 000 hab.)
| Posição | País / território | por 100.000 |
|---|---|---|
| 1 | Antígua e Barbuda | 0 |
| 2 | Mônaco | 0 |
| 3 | San Marino | 0 |
| 4 | Micronésia | 0.2 |
| 5 | Maldivas | 1.6 |
| 103 | Tadjiquistão | 15.7 |
| 104 | Afeganistão | 15.9 |
| 105 | Brasil | 16 |
| 106 | Honduras | 16.1 |
| 107 | Butão | 16.2 |
| 188 | Venezuela | 39 |
| 189 | Zimbábue | 41.2 |
| 190 | República Dominicana | 64.6 |
Nas primeiras posições aparecem Antígua e Barbuda, Mônaco e San Marino com 0,0, além de Islândia (2,0) e Noruega (2,1); na base estão República Dominicana (64,6), Zimbábue (41,2) e Venezuela (39,0). O Brasil fica na metade inferior da tabela.
A linha brasileira cai de 24,8 em 2012 para 16,0 em 2019, uma redução contínua ao longo de sete anos. As barras vão de valores próximos de zero a mais de 60, e o mapa mostra as taxas mais altas concentradas na África e em partes das Américas.
Taxa de mortalidade por suicídio
| Posição | País / território | por 100.000 |
|---|---|---|
| 1 | São Vicente e Granadinas | 0.41 |
| 2 | Síria | 0.59 |
| 3 | Jordânia | 0.6 |
| 4 | Egito | 0.63 |
| 5 | Palestina | 0.65 |
| 94 | Equador | 7.56 |
| 95 | Malaui | 7.57 |
| 96 | Brasil | 7.59 |
| 97 | El Salvador | 7.63 |
| 98 | Burundi | 7.65 |
| 183 | Essuatíni | 27.23 |
| 184 | Coreia do Sul | 27.53 |
| 185 | Lesoto | 28.66 |
Entre os menores valores estão São Vicente e Granadinas (0,41), Síria (0,59) e Jordânia (0,6); entre os maiores, Lesoto (28,66), Coreia do Sul (27,53) e Essuatíni (27,23). O Brasil fica na faixa intermediária, abaixo de Uruguai (24,75) e Guiana (24,78).
Diferentemente dos outros quadros, a linha do Brasil é de alta: 6,71 em 2019, 6,93 em 2020 e 7,59 em 2021. As barras mostram uma amplitude de menos de 1 a quase 29, e o mapa revela padrões regionais bem distintos dos observados para homicídios.
Despesa militar (% do PIB)
| Posição | País / território | % |
|---|---|---|
| 1 | Haiti | 0.07 |
| 2 | Maurício | 0.15 |
| 3 | Laos | 0.19 |
| 4 | Irlanda | 0.24 |
| 5 | Papua-Nova Guiné | 0.31 |
| 38 | Bangladesh | 0.94 |
| 39 | Luxemburgo | 0.96 |
| 40 | Brasil | 0.97 |
| 41 | Panamá | 0.97 |
| 42 | Nepal | 0.98 |
| 162 | Israel | 8.78 |
| 163 | Eritreia | 20.87 |
| 164 | Ucrânia | 34.48 |
Nas primeiras posições estão Haiti (0,0684%), Maurício (0,1496%) e Laos (0,1899%); nas últimas, Ucrânia (34,4815%), Eritreia (20,8657%) e Israel (8,7767%). O Brasil está entre os percentuais mais baixos da tabela.
A linha brasileira desce de 1,4697% em 2018 para 0,9728% em 2024, primeiro valor abaixo de 1% na série. As barras têm cauda muito longa: a maior parte dos países fica abaixo de 3%, enquanto poucos ultrapassam 8%.
Controlo da corrupção (indicador de governação)
No topo aparecem Dinamarca (94,1568), Finlândia (92,226) e Luxemburgo (88,6569); na base, Sudão do Sul (6,0617), Somália (11,7011) e Síria (13,4113). O Brasil fica na metade inferior, acima de Venezuela (15,7287) e abaixo da China (49,6499).
Aqui a ordenação é do maior escore para o menor. A linha do Brasil cai de 46,6229 em 2013 para 38,3541 em 2017 e oscila em torno de 39 pontos até 2024; as barras e o mapa mostram escores altos concentrados no norte da Europa e na Oceania.